Tuesday, 14 October 2008

Índio não quer apito, quer peixe..

Nota: Em agosto, entreguei o meu último parecer na Funai onde recomendo a suspensão da construção das pequenas centrais hidrelétricas no Rio Juruena (todas ligadas ao Grupo Maggi). Isso em função dos problemas que elas podem trazer não só para os índios, mas também para toda a biota da bacia. No caso dos Enawenê Nawê, o impacto é mais grave ainda, parece um Ardil 22: 1) eles não comem carne de caça, só peixe, 2) o avanço da agricultura tem levado animais, como o queixada, a buscar refúgio na terra indígena, onde o aumento da população leva as espécies a comerem as roças dos Enawenê...(agora volte para o 1).

O parecer está andando por ai...enquanto isso...

http://rmtonline.globo.com/noticias.asp?em=2&n=412370&p=2

PF deve investigar ação dos índios que incendiaram PCH em Sapezal

Índios destruíram obras e queimaram documentos, caminhões, lanchas e automóveis.
Aldair Santos, da redação TVCA

Os índios da etnia Enawenê Nawê, que invadiram o canteiro de obras e incendiaram o local onde está sendo construída uma Pequena Central Hidrelétrica - PCH em Sapezal, devem se reunir hoje a noite com o administrador regional da Fundação Nacional do Índio - Funai em Juína, Antônio Carlos. Eles vão discutir a ação dos índios no último sábado, que invadiram e destruíram as obras em andamento e incendiaram o local. A usina está sendo construída fora da área indígena, mas os índios reclamam que a instalação vai causar impactos nas aldeias da região.

A empresa responsável pelas obras da PCH ainda não tem un levantamento do prejuízo provocado pela destruição das obras da usina, mas estima que é muito alto. Cerca de 150 índios da etnia Enawenê Nawê invadiram o canteiro de obras e destruíram toda a construção, incediaram alojamentos, escritórios, veículos e documentos de funcionários e da empresa. Pelo menos 12 caminhões, seis automóveis e algumas lanchas foram destruídos. No local estavam 350 trabalhadores, que deixaram o local com a chegada dos índios.

A Polícia Civil de Sapezal informou que a invasão aconteceu no sábado (11), às 8h30. "Eles deram ordens para os funcionários deixarem o canteiro de obras e tocaram fogo em tudo", disse um policial ao site da TV Centro América. Os funcionários que trabalhavam na PCH registraram Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Polícia Civil. O BO vai garantir aos funcionários o direito de fazer a segunda via dos documentos pessoais. Tudo foi destruído pelo fogo. A Polícia Civil não vai abrir nenhum procedimento de investigação sobre a ação dos índios. As informações sobre o caso foram encaminhadas pela delegada da Polícia Civil, Cíntia Gomes da Rocha Cupido para a Polícia Federal, que deve abrir uma investigação sobre a ação dos índios, e à Fundação Nacional do Ìndio - Funai que deve acompanhar o caso.

De acordo com o registro do Boletim na Polícia Civil, além de todos os documentos que estavam no local, foram destruídos computadores, caminhões e veículos. De acordo com um dos engenheiros responsáveis pelas obras, os índios também saqueram equipamentos de informática, alimentos e roupas de empregados. O engenheiro Marcionílio Pacheco da empresa Maireenginering, Logo depois de destruir tudo os índios deixaram o local. Foram destruídos também equipamentos elétricos e mecânicos que já estavam no local para funcionamento da usina, painéis elétricos e as edicações que já estavam bem adiantadas.

A PCH deveria entrar em funcionamento entre julho e agosto de 2009. Agora, com a destruição dos equipamentos e do canteiro de obras, não há previsão para o início das operações. A empresa responsável pela construção também não sabe quando as obras serão retomadas.

A PCH de Sapezal fica na divisa com o município de Campos de Júlio e está sendo construída com a previsão de gerar 30 MW de energia elétrica. O grupo Juruena tem outras quatro PCHs em construção ao longo do rio Juruena. As obras prosseguem normalmente nas outras usinas.

Agora a empresa responsável pela construção da PCH vai acionar a seguradora, que deve ressarcir o prejuízo provocado pela destruição e a Polícia Federal que deve abrir uma investigação sobre a ação dos índios.

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